Tropkillaz na Folha de São Paulo

ilustrada

Depois de estourar no exterior, duo eletrônico Tropkillaz mira o Brasil

ANGELA BOLDRINI
DE SÃO PAULO

25/11/2015 02h35

Quando o Tropkillaz surgiu, em 2012, o paulistano Zegon não poderia imaginar que a primeira base de fãs do duo de eletrônica seria na RússiaMas quando lançaram a música “Mambo”, em novembro daquele ano, começaram a ver pipocar comentários e mensagens em russo, até que surgiu o convite para tocarem no país. “Fomos até a Sibéria antes de tocar no Brasil”, conta ele à Folha.Depois, a dupla conseguiu fãs nos Estados Unidos, em outros países da Europa e na Ásia, de onde voltou recentemente, após sua quarta turnê.

Em 2014, conseguiram emplacar um remix da música “Hide”, do grupo N.A.S.A, outro projeto de Zegon, em um comercial no intervalo do Superbowl –o principal torneio esportivo dos EUA, considerado o espaço mais privilegiado da televisão americana.

Divulgação

Tropkillaz

Tropkillaz

O curitibano DJ Laudz e o paulistano Zegon, que formam o duo eletrônico Tropkillaz

Agora, o duo que forma com o curitibano DJ Laudz se volta para o público nacional.

Em 2015, tocaram no Rock in Rio e associaram-se ao selo Skol Music, onde passaram a produzir outros artistas: estão por trás do single “Tombei”, da rapper Karol Conka, que acumula 2,3 milhões de visualizações no YouTube.

“Nós começamos a banda de brincadeira, e deu 10 mil ‘plays’ no primeiro dia”, conta o DJ e produtor. “Nossa base de fãs cresceu muito por aqui no último ano, antes era uns 80% lá fora.”

O Tropkillaz é um expoente da chamada música “trap”, uma mistura de rap com música eletrônica.

O crescimento no Brasil se deve, segundo Zegon (que já fez parte da banda de rap Planet Hemp no começo dos anos 2000), à difusão do gênero por aqui.

“No exterior, o rap já havia colidido com a música eletrônica”, conta. “Aqui, um ‘house’ mais bonzinho dominava.”

A mistura de rap com eletrônica e outros estilos como o funk é, muitas vezes, rechaçada por rappers e fãs “das antigas” e suas letras de protesto e crítica social –vertente da qual o Racionais é o maior expoente, também integrada pelo Planet Hemp.

Para Zegon, no entanto, a popularização de uma tendência mais “pop” do gênero não prejudica sua carga política. “Estava faltando uma música para as pessoas se divertirem. Ninguém vai para uma festa para protestar.”

Um dos planos do Tropkillaz, aliás, é gravar com funkeiros como o MC Guimê. “O rap tem muito a aprender com o funk, porque a cena deles evoluiu muito. Acho que união é a parada.”